STF vai retomar análise do piso salarial da enfermagem nesta sexta
Ação será julgada no plenário virtual em sessão no dia 30 de junho
Ação será julgada no plenário virtual em sessão no dia 30 de junho
O Supremo Tribunal
Federal (STF) marcou para sexta-feira (23) o início do julgamento sobre a
liberação do pagamento do piso nacional da enfermagem. A ação sobre o assunto
será julgada no plenário virtual, em sessão aberta até as 23h59 de 30 de junho.
O pagamento do
piso foi liberado em maio pelo relator, ministro Luís Roberto Barroso,
mediante a aplicação de uma série de especificações e condicionantes. Agora, os
demais ministros julgam se referendam ou não essa decisão.
O caso começou a
ser julgado em maio, com os votos de Barroso e Edson Fachin. Um pedido de vista
(mais tempo de análise) de Gilmar Mendes, entretanto, adiou o desfecho. Uma
tentativa de retomada foi feita em 16 de junho, quando Gilmar Mendes apresentou
voto assinado em conjunto com Barroso, ato inédito no Supremo. Contudo, nova
vista pedida por Dias Toffoli novamente impediu a continuidade da análise.
Uma costura interna
permitiu que o caso voltasse a pauta nesta sexta (23), o que possibilita que
uma decisão seja tomada antes do recesso de julho no Judiciário, salvo se
houver nova vista ou pedido de destaque, que remeteria a ação para deliberação
presencial no plenário físico.
Entenda
O pagamento do piso
foi suspenso pelo Supremo no ano passado, depois de a medida ter sido aprovada
no Congresso e sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A justificativa
para a suspensão foi que a legislação não previa fonte de custeio para os
pagamentos, afetando diretamente o orçamento de municípios e estados, por
exemplo.
Pela decisão de
Barroso que liberou o pagamento, estados e municípios devem pagar o piso
nacional da enfermagem nos limites dos valores que receberem do governo
federal. A ordem foi proferida após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ter sancionado a abertura de crédito especial de R$ 7,3 bilhões para o
pagamento do piso. Segundo as unidades federativas, contudo, o impacto nas
contas locais é de R$ 10,5 bilhões, mais do que o previsto para suplementar o
pagamento.
Pelo novo voto
conjunto apresentado por Barroso e Mendes, em caso de eventual insuficiência de
recursos federais, a União poderá abrir crédito suplementar mediante a
destinação de emendas parlamentares destinadas à saúde.
No caso do setor
privado, o voto conjunto propõe prazo de 60 dias para que empresas e sindicatos
conduzam negociações coletivas que flexibilizem o valor do piso. Tal medida
visa manter empregos, justificaram Barroso e Mendes, e prevê “tempo razoável”
para eventual flexibilização do valor.
O novo piso para enfermeiros contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é de R$ 4.750, conforme definido pela Lei nº 14.434. Técnicos de enfermagem recebem, no mínimo, 70% desse valor (R$ 3.325) e auxiliares de enfermagem e parteiras, 50% (R$ 2.375). O piso vale para trabalhadores dos setores público e privado.
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